Já faz alguns anos que penso isso, mas o post entitulado “Por que o Brasil não desenvolve Twitters e Facebooks?” do Blog do Hummel me deu uma motivação a mais para escrever. Durante meus anos de estudante universitário venho percebendo a insistência que vários professores tem no tal “Mercado de Trabalho“. Com o tempo isso acaba passando para grande parte dos alunos. O problema é que esse termo acaba servindo como uma venda para os alunos e acaba afetando o país antes mesmo deles se tornarem profissionais. Qual o maior problema no tal mercado? É que justamente por martelarem tanto nos jovens o termo “Mercado de Trabalho”, esses jovens acabam vestindo uma viseira, assim como os cavalos e burros de carga que com essa viseira só conseguem enxergar uma única direção.Pior ainda aqueles que enchem a boca ao usar o termo, como se o “Mercado de Trabalho” fosse uma verdade universal incontestável. Quando é que será que essas pessoas irão perceber que nada pode ser imutável? Esse tal “Mercado” deve ser feito pelos alunos. O problema é que acontece o contrário. Eles passam tanto tempo apenas tentando se adequar ao tal “Mercado” e acreditando que esta é a única coisa importante do mundo que acabam alienados, se esquecendo todo o resto. Um exemplo disso é o número de alunos que existem em faculdades, com excelentes notas, mas que provavelmente não sabem quase nada do que acontece atualmente no mundo. Já vi muitos estudantes de tecnologia que não sabem ainda o que é Twitter, ODF, OOXML, Ruby, Python ou que a Sun quer fechar alguns pedaços do MySQL… Muitos nem mesmo conhecem o Slashdot ou o Digg. Existem até mesmo aqueles que detestam Linux e dizem que o mercado é só Microsoft e, ainda assim, não sabem quem é Ray Ozzie, Sam Ramji, Porta 25 e que, muitas vezes, ainda falam aquela aquela velha besteira: “Olha que o código do Linux vai ser fechado e o Linux vai ser pago…”
Essa obsessão pelo “Mercado de Trabalho” faz com que vários alunos passem anos aprendendo uma tecnologia que muitos dizem ser “o que o mercado quer” para depois perceber que nem acabaram de se formar e já estão obsoletos. Essa mesma obsessão pelo “mercado” tira o idealismo que todo universitário deveria ter. É triste saber que muitos estudantes de tecnologia só ficam sabendo algo diferente do que é passado nas aulas se lêem em alguma revista como a Info.
O brasileiro, infelizmente, é muito inflexível. Costuma ter medo de inovações e se apega facilmente a instituições e modelos ultrapassados. O brasileiro também é muito burocrático. Adora papéis. Um simples pedaço de papel é supervalorizado em nosso país. Não importa o talento de um profissional. A maioria das pessoas sempre dá mais crédito àqueles que tem um diploma (mesmo que esse seja apenas um idiota que poderia achar uma utilidade melhor para seu diploma como papel higiênico). O brasileiro também adora encher linguiça e acredita que com isso esteja passando uma imagem de culto e estudado. Infelizmente eles muitas vezes não se dão conta disso e acreditam que estejam fazendo as coisas da forma certa. As vezes fico pensando em quantos profissionais tem por aí que passam mais tempo fazendo os diagramas de um banco de dados do que o próprio banco? Recomendo que leiam o post “A faculdade nos prepara para estarmos despreparados para o mercado de trabalho” do Leonardo Bighi, com atenção especial para o parágrafo em que ele conta sobre uma entrevista de emprego que ele fez recentemente:
“Até reparei isso recentemente ao fazer uma entrevista de emprego. Sorte minha que foi com algo simples. Ao ter que escrever uma query em SQL, eu precisava unir duas tabelas. Eu poderia ter colocado uma simples vírgula entre os nomes da tabela, e eu tinha noção disso, mas viciado pelas avaliações de faculdade eu tive todo o trabalho extra de escrever por extenso “INNER JOIN” para uní-las. Pior ainda que o entrevistador citou este fato, me lembrando que teria sido melhor ter apenas colocado a vírgula.”
Antes de contar essa passagem, Bighi explicou:
“Nas universidades, por algum motivo completamente desconhecido, parece que todos os professores decidiram em uníssono seguir o caminho completamente oposto. Uma solução direta para um problema é punida com uma nota apenas parcial. Você não consegue a nota máxima sem enrolar e resolver o problema de um jeito extenso e demorado“
Outra coisa totalmente ultrapassada é a tal obsessão que muitas faculdades parecem ter nos tais “softwares de cadastro de clientes, fornecedores etc”. Não seria melhor que nas aulas os professores incentivassem os alunos a desenvolverem os softwares que eles quisessem ao invés de forçá-los a fazer sempre a mesma coisa que sempre foi feita extensivamente durante anos? Voltando ao post do Hummel sobre o Brasil não desenvolver Twitters e Facebooks, será que a resposta para sua pergunta não está neste parágrafo? Os professores insistem nos programas de “cadastro de clientes” como se fossem a única coisa que o mercado quer, enquanto muitos alunos, acreditando cegamente em seus professores, acabam perdendo o interesse de criar coisas interessantes como redes sociais, novos modelos de negócios, jogos ou qualquer outro tipo de software ou site que não tenha a ver com o cadastro de alguma coisa para alguma empresa.
©Terramel
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